A publicação “O Feminino: Questão de Diferença” será lançada no dia 11 de março
O lançamento da publicação “O Feminino: Questão de Diferença” é um dos eventos preparatórios do VII Congresso Regional da Psicologia (COREP). O evento será realizado na quinta-feira, 11/03, às 19h, no Auditório Ruy Flores Lopes, situado na sede Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (Rua Timbiras, 1.532, 6º andar. Lourdes). O lançamento contará com a palestra “Feminino: um projeto ético-político para a profissão”, a ser ministrada pela psicóloga Marisa Sanabria (CRP-04/5350).
A publicação é fruto dos estudos realizados pelo GT de Psicologia e as Questões do Feminino. A criação do GT foi proposta pela Comissão de Direitos Humanos do CRP-MG durante a Reunião Plenária do Conselho, realizada em 14 de março de 2009. O GT surgiu com o intuito de sistematizar o conteúdo científico a partir da intervenção dos profissionais da psicologia e de outras áreas.
Além de divulgar as discussões realizadas pelo grupo, a publicação tem o intuito de estimular a participação de um número maior de pessoas, contribuindo, desta forma, para uma reflexão ainda mais profunda.
Os textos, oriundos dos estudos realizados pelo GT, são de autoria das psicólogas Fátima Tolentino (CRP-04/3278), Georgina Maria Véras Motta (CRP-04/1868), Marisa Sanabria (CRP-04/5350), Silvana Pontes Bueno (CRP-04/8657), Viviane Carneiro Carvalho (CRP-04/26740), da historiadora Márcia de Cássia Gomes e da antropóloga Maria das Graças Pinho Tavares.
Rodrigo Torres Oliveira (CRP-04/17468), vice-presidente do CRP-MG, salienta que o feminino reúne um conjunto disperso de traços, nuances e formas culturais. Não se fixa na dimensão do sexo, do gênero ou das formas emolduradas e acabadas. Revela-se na cultura, no psiquismo, nas trocas humanas, nas relações sociais, nos laços afetivos.
Ele afirma que a publicação trata de uma ética da diferença e de uma política do cuidado, da geração, da vida: “a violência dirigida contra a mulher, o trabalho e seus impactos nas subjetividades, os valores impostos, transtornos e respostas, conduzem graus, escalas, modos de ver, falar, acreditar”.
A coordenadora do GT, Marisa Sanabria, enfatiza que a publicação não está baseada na questão do gênero. “O feminino está vinculado a uma estrutura de consciência, o que quer dizer que ele pode ser vivido sem se identificar com o masculino, como uma forma de funcionar. Também não precisa atuar de forma reativa para se defender e não tem que compensar alguma coisa que lhe falta para poder existir”, explica.
Sanabria diz que é importante pensar que valores substituíram o êxito econômico e o consumismo. “O mundo contemporâneo masculinizou a mulher como uma forma de resolver as desigualdades; contudo, na prática, essas desigualdades não foram resolvidas, continuamos dividindo o trabalho de forma tradicional discriminando e sobrecarregando as mulheres”.
Para ela, feminizar a sociedade seria transformar a forma de fazer política, de dividir o público e privado, de pensar um paradigma do cuidado e uma ética do acolhimento.