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Psicologia em Foco debateu autismo e educação inclusiva
 
Postado em 20/4/2017

“Autismo e educação inclusiva: diálogos possíveis” foi o tema do ciclo de eventos Psicologia em Foco, realizado pelo Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG), na última quarta-feira, 12/4. O vídeo com a íntegra do evento pode se assistido aqui.

Essa edição do Psicologia em Foco fez alusão a duas datas de extrema relevância:  2 de abril "Dia Mundial de Conscientização do Autismo" e 14 de abril "Dia Nacional da Educação Inclusiva”. A atividade foi planejada pela Comissão Psicologia, Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do CRP-MG.

A mesa contou com as contribuições da psicóloga Érika Lourenço, doutora em Educação e Inclusão Social e professora do Departamento de Psicologia da UFMG, e Mayana Bracks, que é psicóloga clínica e mestre em Psicologia. O debate foi mediado pelo psicólogo Filippe Melo, que é mestre em Psicologia, conselheiro e coordenador da Comissão Psicologia Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do CRP-MG.

Autismo e diagnóstico – A psicóloga Mayana Bracks iniciou o debate fazendo um breve histórico sobre o diagnóstico do autismo, os desafios atuais que a saúde mental enfrenta na identificação do transtorno e fez uma reflexão sobre o modo de utilização do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).  “Em 1952, o manual tinha 106 transtornos em suas 132 páginas, em sua quinta e última edição, em maio 2013, já se tem 374 categorias diagnósticas em 888 páginas. É possível ver um aumento de 352% no aumento dos transtornos. Com isso ocorreu um aumento expressivo na fabricação, importação e consumo dos psicofármacos a cada nova edição do DSM”, contextualizou a psicóloga.

Mayana falou sobre o mercado farmacêutico como o pilar da lógica capitalista, que aliado aos diagnósticos psiquiátricos descritivistas, buscam soluções rápidas e geram o auto consumo de psicofármacos, como a Ritalina.

“O autismo tem mais de 100 versões no DSM. Essa ampliação de diagnósticos se justifica pela diversidade de heterogeneidade de apresentação psíquica e comportamental dos sujeitos autistas, essa ampliação das categorias não consegue abarcar nem especificar a singularidade de cada sujeito autista em uma única categoria”, disse Mayana. 

Educação inclusiva – A professora Érika Lourenço falou sobre sua atuação junto à formação de professores para educação especial e educação inclusiva. Ela explicou as diferenças entre esses dois campos. “A educação inclusiva é pensar numa educação para todos, sem a exclusão de qualquer pessoa por qualquer motivo. Eu vejo a educação especial como uma parte da proposta mais ampla da educação inclusiva, é a garantia da inserção, uma inserção de qualidade das pessoas com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e outras habilidades no contexto escolar”, afirmou Érika.

A psicóloga observou que o senso comum entende que a educação inclusiva só acolhe as pessoas com alguma deficiência ou com alguma necessidade especial na escola e que por isso é essencial explicar as diferenças.

Érika citou vários documentos que abordam a inclusão ao longo da história, entre eles, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948 e o Plano Nacional de Educação, de 2014. “Esses documentos tanto internacionais quanto nacionais mostram o quanto é importante se discutir a inclusão”, explicou a psicóloga.

O debate mobilizou a plateia, que contou com a participação de profissionais de municípios do interior do estado, que puderam compartilhar suas experiências e dúvidas.

Veja as fotos do evento