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18 de maio também é dedicado ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes
 
Postado em 18/5/2017

O dia 18 de maio abraça duas importantes pautas no campo dos direitos humanos no Brasil e que contam com contribuições da Psicologia: a Luta Antimanicomial e o Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.

Entrevistamos duas psicólogas sobre a forma como a Psicologia tem contribuído no combate à violação de direitos de meninas e meninos.

Cynthia Tannure é doutoranda em Psicologia e supervisora clínica do projeto de pesquisa e extensão com Crianças e Adolescentes Vítimas de Abuso Sexual (CAVAS), da UFMG. Fernanda de Azevedo Gomes é psicóloga e mestre em Psicologia.

A maioria das situações de violência sexual ocorre no grupo familiar. Como a Psicologia pode contribuir com as famílias que vivenciam essas situações?
Cynthia - A Psicologia pode contribuir ofertando distintos espaços de escuta e simbolização da dor e do traumatismo, compreendendo que, a quebra do pacto de silêncio, que se instaura nesses casos, retira a vítima de seu desamparo e isolamento, abrindo vias de elaboração e reconstrução daquilo que foi devastado em sua subjetividade. A quebra desse pacto possibilita, também, o acolhimento aos familiares muitas vezes afetados por experiências semelhantes, e fragilizados em sua capacidade de proteger a criança e o adolescente. E, assim, visa-se viabilizar tentativas de interromper ciclos de experiências abusivas.

Fernanda
- Dentre outras ações, acolhendo esta família, ou a rede de apoio que está em torno desta criança, como um núcleo fundamental para lidar com a situação. A mediação da(o) psicóloga(o) no processo pode contribuir para amenizar os possíveis prejuízos e resgatar a dignidade da criança ou adolescente, que muitas vezes se sente culpado pelo evento. Por isso, a importância da Psicologia ocupar diferentes espaços em que esta família e a criança estão inseridas, como escola, mídia, locais de trabalho, etc.

O que é possível fazer em relação à prevenção? Sabemos que este é um tema visto como "tabu" em muitos segmentos sociais, por exemplo.

Cynthia - Para prevenção do abuso sexual na infância e na adolescência mostra-se necessário, cada vez mais, dar visibilidade a esse fenômeno e ao sofrimento que ele impõe, buscando compreendê-lo e discuti-lo de forma ampla, em diferentes esferas da sociedade, visando fortalecer mecanismos de proteção à infância e adolescência.  Pesquisas necessitam continuar sendo desenvolvidas nessa área e, além disso, o tratamento às crianças e adolescentes que sofreram o abuso sexual, bem como a escuta de outros familiares que passaram pela mesma situação mostram-se fundamentais para que vivências traumáticas encontrem a possibilidade de historização, evitando a sua reprodução.

No Brasil, quais os maiores desafios no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes?
Fernanda - A formação das profissões de saúde, e não só da Psicologia, ainda é distante da situação de violência, faltando preparação e capacitação para reconhecer sinais de abuso, uma realidade que atinge muitas crianças e adolescentes brasileiros. Devido à fragilidade da formação neste aspecto, há uma insegurança dos profissionais em lidar com a violência sexual contra crianças e adolescentes, levando a situações de negligência. Assim, são importantes ações preventivas na escola, mídia e locais de trabalho para alcançar tanto as potenciais vítimas como os potenciais agressores. A campanha Denuncie - Disque 100 tem um papel essencial na ruptura de uma cultura individualista e do silêncio e na responsabilização da sociedade para lidar com a questão.