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Família e LGBTfobia foram assuntos do Psicologia em Foco
 
Postado em 13/7/2017

O Psicologia em Foco dessa quarta-feira, 12/7, discutiu "A Psicologia, a relação entre famílias e o enfrentamento à LGBTfobia”, foi um encontro marcado por histórias de descobertas, perdas e encontros. Veja o vídeo na íntegra.

O evento contou com relatos de Henrique Alvarenga, pai de uma mulher trans, bancário e militante da causa LGBT; Angélica Ivo, professora da educação infantil, militante e mãe de Alexandre Ivo, morto em 2010 por motivação homofóbica; e Samuel Silva, psicólogo, psicoterapeuta clínico, gay e militante da causa LGBT. As contribuições foram mediadas pela conselheira secretária do CRP-MG e coordenadora da Comissão Psicologia, Gênero e Diversidade Sexual do CRP-MG, Dalcira Ferrão.

A família - “Em 2015, quando a Sofia fez 18 anos e me revelou que não suportava mais estar naquele corpo de homem, foi como se um feixe de luz tivesse passado na minha frente e passei a entender a história dela com muito mais profundidade e clareza”, contou Henrique Alvarenga.

O relato da professora Angélica Ivo, mãe de Alexandre Ivo, assassinado em 2010 por homofobia, foi emocionante e inspirador. Ela falou do ódio e da violência que a comunidade LGBT tem sofrido, da posição da família e da escola nesse processo de aceitação e no confronto à LGBTfobia, além de deixar uma mensagem para as(os) futuras(os) psicólogas(os). “Eu, como mãe, invisto as minhas expectativas em vocês, jovens, estudantes, de transformarem a cabeça destas pessoas que não aceitam o diferente daquilo que a sociedade coloca como certo”, enfatizou.

A Psicologia no combate à LGBTfobia - O psicólogo Samuel Silva falou do padrão de família imposto pela sociedade e como ele afeta as relações familiares na trajetória de uma pessoa LGBT. Ele exemplificou que na gestação a primeira pergunta que as pessoas fazem é se o bebê é menino ou menina, resposta esta que já afeta a trajetória daquele ser em formação. Ressalta ainda que o sexo se torna determinante para o futuro desta criança, ou seja, se é menino usa azul, brinca de bola, se espera que seja mais agressivo e assuma posturas de liderança. Se é menina, as expectativas são de que use rosa, brinque de boneca, seja delicada e valorize o ambiente doméstico.

Diante dessas concepções de feminino e masculino, Samuel Silva explicou o que é orientação sexual e de gênero, esclarecendo que o órgão sexual não determina a orientação sexual da pessoa e
e nem a identidade gênero da pessoa. No entanto, a cultura predominante compreende que a orientação heterossexual é a única possível e adequada, o que leva a preconceitos e confrontos entre pessoas LGBT e suas famílias. As experiências negativas vividas no ambiente familiar, por sua vez, podem gerar efeitos psicológicos e físicos e, em alguns casos, levam até mesmo ao suicídio.

“O papel da família é determinante, pois quando uma pessoa se assume para família ela se assume para o mundo, e é dentro da família que ela busca o suporte para enfrentar o preconceito e as dores causados pela sociedade. Então, quando esse movimento de aceitação não parte da família, o assumir para o LGBT é muito complicado e doloroso”, explicou Samuel Silva.

A conselheira do CRP-MG, Dalcira Ferrão, enfatizou que o papel da Psicologia não é julgar o sujeito, mas entender e respeitar suas subjetividades e trajetória de vida. Dessa maneira, a Psicologia também contribui com o combate à LGBTfobia. A conselheira propôs a realização de Grupo de Apoio a Mães, Pais e Familiares LGBT, que será acompanhado e desenvolvido pela Comissão de Psicologia, Gênero e Diversidade Sexual, em parceria com o Coletivo Mães pela Diversidade. A ideia é que este grupo se reúna mensalmente na Sede do CRP-MG.