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Reflexões sobre desafios para a Psicologia marcam comemoração do Dia da(o) Psicóloga(o)
 
Publicado em 31/8/2017

Para celebrar o Dia da(o) Psicóloga(o) em 2017, o Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) promoveu uma série de atividades em Belo Horizonte e no interior do estado. No sábado, 26/8, a mesa “Desafios da Psicologia na atualidade” concluiu uma semana intensa de atividades promovidas na sede. Veja fotos e o registro em vídeo do encontro.

A presidenta do CRP-MG, Cláudia Natividade, mediou o debate e destacou a campanha lançada em agosto “Nós, humanas: a pluralidade da Psicologia na promoção dos Direitos Humanos”. “Essa campanha marca o primeiro ano da atual gestão e vem para afirmar como a perspectiva dos direitos humanos é o guarda-chuva de todas as nossas ações. É uma perspectiva inclusiva, que faz uma discussão qualificada sobre o que é importante para nós”, afirmou.

O psicólogo, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSJ, Marcos Vieira da Silva, apresentou três desafios que, na sua avaliação, acompanham a Psicologia brasileira.

O primeiro diz da relação entre a Psicologia e a sociedade. O professor relembrou que a atividade de psicóloga(o) começou a ser exercida no Brasil como profissão liberal, caracterizada pelo atendimento em consultório de pessoas que podem pagar por este serviço. No entanto, a perspectiva da Psicologia Social ganhou destaque ao longo das décadas e o professor aponta que este é um campo frutífero para a reflexão sobre práticas para atender a sociedade. Nesse aspecto, é importante que a Psicologia inserida no campo dos sistemas públicos de saúde e assistência social esteja atenta a aspectos como a inclusão. “A pessoa se sente incluída quando se sente sujeito do seu modo de ser e nos espaços de ação social”, argumentou.

O segundo desafio apontado por Marcos Silva está relacionado à formação profissional das(os) psicólogas(os). Para o professor, os cursos devem formar psicólogas(os) que tenham a habilidade de investigar e é necessário refletir sobre as metodologias de pesquisa. “Defendo que a gente continue trabalhando com as metodologias qualitativas e que não sejamos neutros em relação ao que está aí”, afirmou. O professor compartilha do entendimento de que nenhuma ciência ou forma de intervenção é neutra.

Por fim, o psicólogo citou a comunicação na Era Digital como o terceiro desafio que está colocado para a Psicologia. Segundo Marcos, é necessário considerar as interações pelas redes sociais, mas sem abrir mão da comunicação presencial. Além disso, o professor também defendeu que é papel da Psicologia refletir sobre as informações em circulação.

Marcos Silva realçou a importância do engajamento da Psicologia com os direitos humanos e defendeu a radicalização da defesa da luta antimanicomial. “O hospital psiquiátrico nunca foi pensado para a cura, foi pensado como lugar de guarda, de contenção”, argumentou.

Panorama - A psicóloga e doutora em História da Consciência, Sandra Azeredo, analisou o atual contexto político e social do Brasil. Sandra Azeredo destacou que não é possível compreender o que se passa atualmente sem retomar a história brasileira. “A desigualdade que vemos hoje começou lá na colonização. A divisão entre Casa Grande e Senzala continua até hoje, foram quase quatro séculos de escravidão”, lembrou.

A psicóloga também apontou a necessidade de se estudar e compreender os conceitos de classe, gênero e raça.  “Sou uma intelectual, venho de uma classe privilegiada, e quem está nesse lugar tem a responsabilidade de se posicionar”, defendeu.