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CRP-MG promoveu debate sobre a relação entre Psicologia e coaching
 
Publicado em 10/10/2017

Na última sexta-feira, 6/10, o Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) debateu um assunto que suscita diversos questionamentos:  a relação entre a Psicologia e o coaching. O registro completo do debate pode ser acessado aqui.

O psicólogo clínico e membro da International Society for Coaching Psychology (Inglaterra), Ghoeber Morales, abordou alguns aspectos que podem ajudar a compreender os tensionamentos que existem entre a Psicologia e o coaching. Ghoeber explicou que o coaching não é uma profissão regulamentada em nenhum lugar do mundo, ou seja, pessoas com qualquer formação podem se tornar coaches a partir da realização de um curso. “Por não haver essa regulamentação, tem havido uma banalização enorme do coaching. Estados Unidos e Europa também passaram por isso, mas atualmente já há uma seleção do mercado. Aqui no Brasil ainda vivemos o boom”, explicou.

Os conhecimentos que embasam a formação em coaching são variados e boa parte vem da Psicologia, o que na avaliação de Ghoeber Morales também ajuda a entender a resistência de psicólogas(os), quando vêem profissionais de coaching falando sobre temas como as emoções. Ghoeber apontou uma questão ainda mais grave: “há coaches que estão acolhendo demandas que são da psicoterapia e não do processo de coaching. Atendem demandas de depressão, de transtornos de ansiedade diversos e outras questões”, criticou.

Para o psicólogo, nem todo bom profissional de coaching precisa ter a formação em Psicologia, mas ele avalia que esta é uma área que capacita profissionais que poderão ser excelentes coaches. Ghoeber Morales também citou o campo de estudos Psicologia do Coaching que promove uma aproximação mais consistente entre as duas áreas.

Orientação profissional – Graduada em Psicologia e professora da PUC Minas, Mariza Tavares, traçou um paralelo entre a orientação profissional e os processos de coaching. Muitos profissionais que trabalham como orientadores profissionais não são psicólogas(os), ainda que esta seja uma atividade que recebe muita atenção da Psicologia. Segundo Lizete, há aproximadamente oito anos, muitas pessoas têm procurado a orientação profissional não no momento da primeira escolha de profissão, mas numa fase de redefinição da carreira, o que aproxima ainda mais os campos da orientação profissional e do coaching.

Mais pesquisas
– A professora adjunta de Psicologia Organizacional e do Trabalho e Gestão de Pessoas na Universidade Federal de Uberlândia, Lígia Silva, defendeu a realização de mais pesquisas científicas sobre os processos de coaching.

Segundo a professora, não há consenso sobre a própria definição do que é coaching, as técnicas utilizas carecem de validação científica e as formações também são muito diversas, não permitem que se identifique um padrão. “Cada coach pode fazer o trabalho de um jeito. Em relação ao embasamento teórico, são utilizadas várias técnicas da Psicologia, mas sem necessariamente dar o crédito, o que é complicado”, destacou.

Para Lígia Silva a pesquisa científica é fundamental para que sejam estabelecidos padrões aceitáveis para o exercício do coaching. “Diante da ausência de um padrão de exercício do coaching, são geradas ambiguidades, divergências e pouca confiabilidade no processo. Às vezes, a impressão que se tem é de que você tem que ter sorte para encontrar um bom profissional”, avaliou.

A professora também vê na área de estudos Psicologia do Coaching, que já está mais avançada em outros países, a oportunidade de se criar processos de coaching com bases em evidências científicas.

Ética – A psicóloga e consultora em processos de seleção, avaliação e desenvolvimento de profissionais e executivos, Lizete Araújo, explicou que o processo de coaching começa sempre com a escuta de quem demandou o trabalho. Nessa etapa deve ser verificado se o que está se buscando mesmo é o coaching. “No coaching nós não lidamos com traumas, nem problemas passados. O coaching não tem caráter clínico. É um trabalho focado do presente para o futuro”, explicou.

Segundo ela, também é preciso estar atento ao fato de que às vezes as pessoas têm demandas para o acompanhamento psicológico, mas preferem falar que procuraram o coaching no lugar da psicoterapia. Nesses casos, é fundamental que coaches ajam de forma ética e façam os encaminhamentos a profissionais de Psicologia. Lizete Araújo também criticou processos de coaching que oferecem soluções “mágicas” e fáceis.

O debate “Coaching: o que a Psicologia tem a ver com isso?” foi mediado pela conselheira Cida Cruvinel, coordenadora da Comissão de Psicologia Organizacional e do Trabalho do CRP-MG.